Cuide da saúde do seu cérebro!
ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE NUTRICIONISTAS, uma colaboração entre a Associação Portuguesa de Nutricionistas e o Notícias do Nordeste permite trazer até aos nossos leitores os conselhos avalizados dos mais reputados nutricionistas do país. Este espaço destina-se a si! Porque a saúde é o aspecto mais importante da nossa vida.Siga em permanência esta nossa secção, porque “Saber comer…é Saber viver!”
NN - publicado
quarta-feira, 26 de novembro de 2008

 

    

  

    
No regresso às aulas voltamos a preocupar-nos com os nossos filhos: será que este ano vai correr bem? Mas a verdade é que a aprendizagem não é um conceito vago, mas sim um processo biológico que depende da boa saúde das células do nosso cérebro, os neurónios. Quando estas células não recebem os nutrientes que necessitam, o seu funcionamento vai estar comprometido.
O cérebro tem mais de 100 biliões de neurónios, que comunicam entre si através das suas membranas. É através da sua membrana que o neurónio “fala”, libertando substâncias químicas, e que por sua vez “ouve”, reconhecendo as substâncias libertadas pelo neurónio vizinho, como se fosse um diálogo.
As membranas das células de todos os organismos vivos são constituídas por lípidos, e as que existem no cérebro são ricas num tipo de gordura especial, o ácido gordo DHA (ácido docosahexaenóico). Este ácido gordo poli-insaturado de cadeia longa do tipo ómega-3 é uma molécula muito comprida com várias “dobradiças”, o que torna as membranas mais maleáveis. Ora, quanto mais maleáveis, mais fáceis são as ditas trocas de substâncias, permitindo a comunicação com os neurónios vizinhos de modo incrivelmente rápido.
Mas onde encontrar estes nutrientes? Os DHA são as gorduras mais abundantes no cérebro, e existem no leite materno, nos peixes gordos - carapau, sardinha, salmão, etc. – e nos óleos vegetais. Por outro lado, estes alimentos são também ricos em ALA (ácido α-linolénico), que é essencial para a saúde cognitiva, encontrando-se sobretudo nos óleos de origem vegetal, feitos a partir de sementes.
O consumo destas “boas” gorduras ajudam a desenvolver as capacidades cognitivas como a aprendizagem, a memória e a concentração. Para além disso, são capazes de diminuir alguns sintomas da hiperactividade e também da depressão, melhorando o humor. Está até provado que os ómega-3 melhoram o rendimento nos desportos que envolvem rapidez e precisão, como o basquetebol ou a esgrima.
Por todos estes motivos, os ácidos gordos ómega-3 devem estar presentes de forma regular na alimentação de toda a família, nos mais novos e nos mais velhos, para crescer e envelhecer, com corpo e mente saudáveis.
Maria Paes de Vasconcelos (Nutricionista)