Quem resiste a comprar um pacotinho de castanhas no meio da rua, em pleno Outono? A chegada do tempo mais frio traz consigo as castanhas assadas, cozinhadas em erva-doce, em purés ou doçaria tradicional portuguesa. Antigamente, a castanha tinha um papel importante na alimentação de vários povos, já que era conhecida como o pão dos pobres. Em anos maus para a agricultura, a castanha conseguia substituir os cereais – a farinha de castanha contém entre 6 a 8% de proteínas, 3% de lípidos e 40%-42% de gorduras.
Ao contrário dos outros frutos secos, a castanha é rica em hidratos de carbono complexos, sob a forma de amido e fibra, e contém pouca proteína e gordura. Por isso, tem menos calorias do que os outros frutos secos. De facto, 100g de castanhas apresentam cerca de 180Kcal, enquanto a mesma quantidade de amendoins ou amêndoas fornecem cerca de 570 e 620 Kcal, respectivamente. Por outro lado, cerca de 100 g de castanha fornece aproximadamente um terço da dose diária recomendada de vitamina E, e um quarto da de vitamina B6. É ainda uma excelente fonte de minerais como o cálcio, o potássio e o magnésio.
Se para uns a castanha faz as delícias de um serão, para outros a ingestão deste fruto é sinónimo de cólicas intestinais. O truque para minimizar estes efeitos passa por evitar a combinação da castanha com pão, arroz, batata e outros alimentos feculentos. Importa reforçar que o consumo de castanha é compatível com o leite e seus derivados, bem como fruta fresca.
Para além de poder ser comida crua, a castanha é um fruto muito versátil. Assada, cozida ou em forma de puré, a castanha pode servir de acompanhamento em diversos pratos, pode ser utilizada na confecção de sopas e guisados e até na produção de pão, bolos e biscoitos. Há para todos os gostos. Resta aproveitar!
Alexandra Bento (Nutricionista)